- "A Declaração dos Direitos do Homem", edição da AR (porque há coisas que nunca devemos esquecer)
- "O Fiel Jardineiro" de John Le Carré (livro e filme fantásticos)
- "Creoula - notas e fotos de embarque no navio de treino de mar” de António Santos Carvalho e Ana Lúcia Esteves (porque foi uma viagem que nunca vou esquecer)
- "A Espuma dos Dias" de Boris Vian (porque adorei o nonsense de Vian em "A Erva Vermelha")
- "Inés da Minha Alma" de Isabel Allende (continuo a ter uma secreta paixão pela literatura sul americana)
- "Hamlet" de Shakespeare (To be, or not to be! That is the question!)
Tuesday, June 03, 2008
Livros do Dia - III
Monday, June 02, 2008
Livros do Dia - II
- "Ilhas na Corrente" de Ernest Hemingway (porque Hemingway vale sempre a pena)
- "Histórias à Lareira" de Arthur Conan Doyle (alguns destes contos de mistério são simplesmente fantásticos...li-os num dos Natais da minha adolescência e achei-os ainda melhores que as investigações de Sherlock Holmes)
- "Quatro Gigantes Camões, Garret, Camilo & Eça" por Ramalho Ortigão (tenho este livro e confesso que nunca o li na íntegra mas socorro-me dele quando leio algum destes autores e me apetece saber mais...enfim, se calhar se somar todas estas leituras pontuais, já devo ter lido o livro todo, salteado :P)
- "O Nome da Rosa" de Humberto Eco (simplesmente fantástico, tanto o livro como o filme)
- "D. Quixote de la Mancha" de Cervantes (porque todos nós combatemos moinhos de vento).
Wednesday, May 28, 2008
Livros do Dia
Friday, May 16, 2008
Fui, não o actor, mas os gestos dele.
"Olho, como numa extensão ao sol que rompe nuvens, a minha vida passada; e noto, com um pasmo metafísico, como todos os meus gestos mais certos, as minhas ideias mais claras, e os meus propósitos mais lógicos, não foram, afinal, mais que bebedeira nata, loucura natural, grande desconhecimento. Nem sequer representei. Representaram-me. Fui, não o actor, mas os gestos dele.
Tudo quanto tenho feito, pensado, sido, é uma soma de subordinações, ou a um ente falso que julguei meu, por que agi dele para fora, ou de um peso de circunstâncias que supus ser o ar que respirava. Sou, neste momento de ver, um solitário súbito, que se reconhece desterrado onde se encontrou sempre cidadão. No mais íntimo do que pensei não fui eu.
Vem-me, então, um terror sarcástico da vida, um desalento que passa os limites da minha individualidade consciente. Sei que fui erro e descaminho, que nunca vivi, que existi somente porque enchi tempo com consciência e pensamento. E a minha sensação de mim é a de quem acorda depois de um sono cheio de sonhos reais, ou a de quem é liberto, por um terramoto, da luz pouca do cárcere a que se habituara.
Pesa-me, realmente me pesa, como uma condenação a conhecer, esta noção repentina da minha individualidade verdadeira, dessa que andou sempre viajando sonolentamente entre o que sente e o que vê."
Bernardo Soares [Fernando Pessoa] in Livro do Desassossego
Thursday, March 20, 2008
Primavera
"A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos subtis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera."
Monday, March 03, 2008
Livro do Desassossego - II
"Os sentimentos que mais doem, as emoções que mais pungem, são os que são absurdos - a ânsia de coisas impossíveis, precisamente porque são impossíveis, a saudade do que nunca houve, o desejo do que poderia ter sido, a mágoa de não ser outro, a insatisfação da existência do mundo. Todos estes meios tons da inconsciência da alma criam em nós uma paisagem dolorida, um eterno sol-pôr do que somos...O sentirmo-nos é então um campo deserto a escurecer, triste de juncos ao pé de um rio sem barcos, negrejando claramente entre margens afastadas."
Monday, January 28, 2008
Porque me sinto em desassossego...
"Tenho sido sempre um sonhador irónico, infiel, às promessas interiores. Gozei sempre, como outro e estrangeiro, as derrotas dos meus devaneios, assistente casual ao que pensei ser. Nunca dei crença àquilo em que acreditei. Enchi as mãos de areia, chamei-lhe ouro, e abri as mãos dela toda, escorrente. A frase fora a única verdade. Com a frase dita estava tudo feito; o mais era a areia que sempre fora.Se não fosse o sonhar sempre, o viver num perpétuo alheamento, poderia, de bom grado, chamar-me um realista, isto é, um indivíduo para quem o mundo exterior é uma nação independente. Mas prefiro não me dar nome, ser o que sou com uma certa obscuridade e ter comigo a malícia de me não saber prever."
Tuesday, October 30, 2007
"The world without us"
O autor, conhecido pelo seu trabalho dedicado às temáticas ambientais, procura nesta obra traçar um possível cenário de evolução para o planeta Terra se a espécie humana desaparecesse subitamente.
Ainda não tive oportunidade de comprar o livro mas diz quem já o começou a ler que está um exercício bastante interessante.
Interessantes estão sem dúvida as ilustrações feitas por Kenn Brown para a antevisão apresentada no livro. Deixo-vos o futuro previsto para a nossa Ponte 25 de Abril. Podem ver as restantes ilustrações aqui.
Wednesday, October 17, 2007
4R - No limiar da utopia. Longe da anarquia mansa que nos tolhe.
Acompanho o 4R desde 2005, altura em que tive o prazer de ser aluna de um dos seus autores, o Dr. José Mário Ferreira de Almeida.
É certo que isso pode tornar tendenciosa a minha opinião, mas aconselho-vos a darem uma leitura diária ao que vai sendo publicado neste espaço.
O que mais aprecio não é encontrar opiniões com as quais eu concorde em absoluto, até porque tal nem sempre acontece, mas sim encontrar um espaço dinâmico, aberto à crítica, à partilha de ideias e ao debate!
O livro será apresentado hoje, às 19h30, na FNAC do Colombo.
Entrem aqui!
Monday, October 08, 2007
Manifesto pela Imperfeição Humana!
Encontrei esta frase há muitos anos atrás, quando li aquele que se viria a tornar num dos livros da minha vida, Dr. Zhivago de Boris Pasternak, obra maravilhosamente transposta para cinema pelo grande David Lean. Monday, October 01, 2007
No Kid?!
É certo que não sou mãe mas sou tia e acompanho muito de perto a minha sobrinha!! Não tenho, nem nunca tive, uma ideia idílica das crianças, do tipo "Ah, são o melhor do mundo!!" (aliás esta frase sempre me irritou!!) e, ao contrário de muitas mulheres, também nunca tive nenhuma especial paixão por bebés, daquelas que as leva a nutrir um carinho inato por qualquer ser humano de idade inferior a 6 anos que se cruze com elas na rua!!
No entanto, não posso deixar de considerar o que diz Corinne Maier, a autora do livro No Kid, um verdadeiro exagero, somente congeminado para ser polémico e render dinheiro! Dinheiro esse com o qual ela irá, quiçá, comprar presentes aos filhos a quem chamou empecilhos...acho que já agora também têm direito a parte dos lucros, não!?!?
As crianças são seres humanos tal como os adultos, esses que também um dia já foram crianças!! E tal como os adultos, há crianças com diferentes tipos de personalidade!! O que nós devemos é educá-las da melhor forma, dando-lhes a oportunidade de crescer e de se tornarem adultos bem formados, responsáveis e conscientes!! Essa mesma oportunidade que um dia outros nos deram a nós!!
Quanto ao parto, à amamentação and so on, já existem hoje em dia muitas formas de melhorar todo o processo!! Não sou nenhuma defensora acérrima do que é natural, como muitas que ainda defendem o parto sem epidural!! Se a medicina e a ciência evoluíram no sentido de evitar a dor e aligeirar ao máximo a condição da parturiente, não vejo porque não usufruir disso!! Contudo, penso que é algo natural pelo qual muitos seres vivos, e não apenas humanos, passaram e hão de continuar a passar e como tal não entendo a ênfase dada à coisa!! Estar grávida não é um estado de graça! É um estado temporário pelo qual quem quer ser mãe tem de passar...sem fantasias cor de rosa mas também sem fazer tempestades absurdas!!
É verdade que, de uma forma geral, ser mãe (e ser pai) implica sacrifícios e restrições, infelizmente a umas mais do que a outras, mas não me parece que hoje em dia se possa dizer que uma mulher não teve direito de escolha e que foi levada ao engano pela idílica imagem que a sociedade pinta do acto de procriar e educar uma criança!
Todos sabemos que não é fácil ter filhos e que deixamos de poder fazer as nossas escolhas pensando exclusivamente em nós!! Ora, como é algo que não se pode voltar atrás, devemos, como adultos conscientes e não como crianças mimadas, ponderar os prós e os contra e decidir de forma responsável se queremos ou não ser mães!! Se não nos achamos em condições emocionais, sociais ou económicas para ter filhos, então há que ser honesta e assumir que não se quer, ou não se pode, ser mãe! Se por outro lado, optamos por sê-lo, há que ser responsável e saber viver com tudo o que essa decisão acarreta!! Eu, pessoalmente, não critico quem opta por não ter filhos tal como também não aplaudo quem decide tê-los! São escolhas, opções de cada um!!
Não quero, contudo, soar demasiado dura! Sei bem que educar uma criança às vezes é desesperante e, parafraseando uma amiga, "só com muita sorte uma mãe não chora de desespero durante pelo menos os 3 primeiros anos de vida de uma criança"!! Acho é que também não é preciso exagerar e fazer das crianças verdadeiros monstros e do facto de se ser pai um tormento!!
E depois de me ter esticado com estas minhas considerações, deixo-vos o dito artigo sobre o polémico livro que despoletou tamanho discurso da minha parte! Para me redimir, não vou postar durante uma semana...LOL!
ps - para quem não está familiarizado com isto, clicar sobre as imagens para as ver em tamanho apropriado à leitura :D
Thursday, September 13, 2007
Sabedoria Infinita
No dia em que o Dalai Lama visita Portugal pela segunda vez aproveitei para reler um pequeno livro que me foi oferecido por um amigo aquando da primeira visita em 2001, Sabedoria Infinita, que reúne excertos de algumas palestras e encontros deste líder espiritual.Sunday, May 13, 2007
Vendedor de Passados
Acabei de ler o último romance de José Eduardo Agualusa, o Vendedor de Passados que relata, num misto trágico-cómico, a história de um africano albino (Félix Ventura) e da sua companheira, uma osga que já foi Homem numa encarnação passada. Félix Ventura tem como profissão construir passados para pessoas que, por um ou outro motivo, precisam de se reinventar. Apesar de toda a fantasia inerente, este livro satiriza de forma inteligente a sociedade angolana e todos aqueles que muito gostariam de ver reescrito o seu passado!Por esta obra foi o autor premiado, na passada semana, pelo The Independent com o XII Prémio de Ficção Estrangeira.
Recomendo vivamente :)

